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Alcides Domingues Leite Junior
Alcides Domingues Leite Junior *
Cinco países da Zona do Euro entraram no radar das agências de risco. Os países que formam o GIPSI – Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália – apresentam indicadores macroeconômicos bastante preocupantes.
O déficit público em 2009 (diferença entre arrecadação e gastos do setor público), a dívida líquida do setor público no final do ano e o resultado anual em conta corrente de 2009 (balanço de todos os recursos em moeda estrangeira que entraram e saíram do país durante o ano, exceto o fluxo de capital em investimentos diretos e aplicações no mercado financeiro) destes países atingiram uma marca considerada limite.
Além destes limites, o país começa a ser considerado de alto risco. Isto é: a possibilidade de dar calote na dívida externa passa a ser grande.
Para se ter uma ideia, a dívida liquida do Brasil em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) gira em torno de 44%, enquanto a Grécia possui uma dívida de 82%, Portugal, de 56%, e a Itália, de 113%. O déficit público anual da Espanha, em relação ao PIB é de 12,3%, da Grécia de 12,4% e da Irlanda de 12,2%. O Brasil tem um déficit público de 3,2% do PIB.
Embora os Estados Unidos e o Japão, que apresentem dívida líquida do setor público de 65% do PIB e 104% do PIB e déficit público anual de 13,6% do PIB e 10,5%, apresentem números igualmente preocupantes, eles têm capacidade de honrar seus compromissos sem grandes dificuldades. O Japão tem reservas que superam US$ 1 trilhão. Já os Estados Unidos possui enorme capacidade de financiamento internacional (todos aceitam comprar títulos do governo americano) e também tem a vantagem de emitir dólares (moeda aceita internacionalmente).
Como os cinco países que estão na berlinda já não podem desvalorizar suas moedas (para aumentar suas exportações e reduzir as importações), para equacionar o problema será necessário implantar uma política fiscal rigorosa (aumentar os impostos e reduzir os gastos públicos). Também será necessário recorrer à ajuda da França e Alemanha (principais países da Zona do Euro). Esta situação freará o crescimento da economia européia em 2010 e possivelmente em 2011.
Vários países do leste europeu e também da Ásia, como Albânia, Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia, Montenegro, Romênia, Servia, Armênia, Bielorussia, Geórgia e Moldávia, também estão em situação crítica. Estes países, no entanto, não têm o poder de gerar um efeito cascata na economia internacional.
O problema dos GIPSI é a primeira grande herança da crise financeira internacional do ano passado. Os países em desenvolvimento, que não estão em situação tão delicada, podem aproveitar a oportunidade para galgar posições na economia mundial. Os próximos cinco anos serão decisivos para mudar suas posições econômicas. Para o Brasil, a situação é bastante favorável: nos próximos anos, a distância entre nós e os países desenvolvidos ficará cada vez menor.
As oportunidades aparecem para aqueles que se organizaram para aproveitá-las. O Brasil fez boa parte da sua lição de casa e se preparou para aproveitar o momento.
* Alcides Domingues Leite Junior é professor de economia e mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios.
E-mail: alcides.leite@trevisan.edu.br
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