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09/02/10  06h50m - Salvador - BA

Governador quer implantação de usina nuclear na Bahia

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), que é especialista em questão energética, alerta para a localização, que, a seu ver, deve ser no mar. “Se for no Rio São Francisco vai encarecer a obra, devido à tecnologia para refrigeração da usina, além de ter um impacto ambiental maior sobre o ecossistema do rio”.

Da Redação PANotícias/Patrícia França , do A TARDE
renaldocarvalho@pauloafonsonoticias.com.br


Crédito: Reprodução

Pela primeira vez, o governador Jaques Wagner (PT) admitiu publicamente que está lutando para trazer uma usina nuclear para a Bahia. Ele disse que está decidido a criar as condições para que o Estado seja contemplado com uma das duas usinas nucleares que deverão ser instaladas na região Nordeste, cujo investimento é estimado em R$ 13 bilhões cada uma. Wagner informou que a decisão ainda depende de estudos realizados pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), mas que já assinou protocolo manifestando o interesse numa central nuclear para gerar energia elétrica.

Wagner sabe que o caminho para inserir a Bahia neste restrito clube não será fácil. Terá, antes de aprovar na Assembleia Legislativa uma alteração na Constituição do Estado, já que o Artigo 226 impede a instalação de usina nuclear em território baiano. Mas o governador, que considera este tipo de energia a mais limpa, diz que está disposto a brigar.

“Num convívio para o desenvolvimento, para a sustentabilidade, se paga um preço”, pontua o petista, que disse estar consciente de que o tema é polêmico. “Só não gosto de  trabalhar com dogmas e preconceitos”, reagiu, ao mostrar disposição para disputar com os estados de Sergipe, Alagoas e Pernambuco a indicação de uma das centrais nucleares.

Wagner adiantou que usará como argumento para convencer os deputados, o fato de que a  Bahia já abriga uma usina de urânio no município de Lagoa Real (próximo à Caetité), única mina de urânio em atividade na América Latina, sob controle da INB (Indústrias Nucleares do Brasil). “Se eu tenho essa mina aqui e posso ficar com uma cadeia que gere renda para nossa população....”, raciocina o governador, lembrando que atualmente o urânio que é extraído da mina é processado e enriquecido energeticamente fora do país.

“Quanto às questões ambientais e riscos de contaminação, o governador  entende que todas as formas de energia trazem algum prejuízo.” “A energia térmica emite poluentes para o ar, a hidráulica inunda áreas, e a energia eólica há quem ache que traz problemas”. Ele citou Angra dos Reis (RJ) que, apesar da usina nuclear, continua, conforme pontuou,  sendo um dos destinos turísticos mais procurados.

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), que é especialista em questão energética, entende que a Bahia, que já possui uma mina de urânio, tem condições de abrigar uma usina nuclear. Mas alerta para a localização, que, a seu ver, deve ser no mar. “Se for no Rio São Francisco vai encarecer a obra, devido à tecnologia  para refrigeração da usina, além de ter um impacto ambiental maior sobre o  ecossistema do rio”.

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